Ela estava lá no escuro sozinha. O coração acelerado, a respiração ofegante... Lembrando.
Mas as lembranças eram turvas, confusas, estranhas. Não eram situações, eram sensações.
Lembranças de sensações, gostos cheiros, barulhos, todas essas recordações a mantinham acordada, acesa.
Sua cabeça girava em meio daqueles ecos passados, Se sentia no meio de uma dança de Beltane, com fogueira e um grande espiral.
seu quarto se perfumava, não ouvia barulho na rua,não ouvia o som do vento, não ouvia nada.
Ela não estava mais em sua cama. Ela não estava mais no seu quarto.
Ela estava em outro plano, outro local.
Um plano de sonhos e magia, um local que a muito não ia, um local eterio, mágico e incrivelmente dificil de se descrever.
O tempo não existe lá, nada existe lá. Ela não é ela mesma, ela é "algo" indefinivel, como o próprio lugar.
Ela não tem forma, ela só é, ela só sente.
Ela não tem olhos mas vê a luz que o lugar emana.
O tempo passou, ou então não e aos poucos ela foi começando a ouvir o barulho dos passaros, os primeiros raios do sol adentrando pela janela que foi esquecida aberta na noite anterior, ela olha para o lado e já é hora de trabalhar.
Mecanicamente, retorna a sua rotina habitual. Se arruma, e sai para o trabalho.
HOJE ela vai de carro.
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