Eu sou uma pessoa de regras e manias estranhas, outro dia estava catalogando quais os pontos decisivos para mudança de comportamento meu quando estou saindo com uma pessoa.
A maior parte das pessoas que me conheceu de uns 5 anos para cá, tem uma visão bem estranha a meu respeito com isso.
Eu sei que não pareço ser uma pessoa carinhosa, ou até mesmo dedicada a outra. Eu passo essa imagem.
Também não quero que pensem o contrário.
Eu sou cagona e sou medrosa quando o assunto diz respeito ao meu coração e aprendi a tomar algumas atitudes para me impedir de sofrer tanto.
Tá certo que ando repensando a maior parte delas, afinal a quantidade de barreiras que levantei impede qualquer um de chegar perto e não somente os muito canalhas.
Minha política de auto-defesa se tornou tão grande e complexa que é necessário hoje uma espécie de manual para lidar comigo ou até mesmo para entender o meu comportamento. Porque a maior parte das vezes a minha atitude não condiz com o que sinto (salvo raros momentos de guarda totalmente baixa).
Sinceramente? eu não gosto mais de ser assim, mas é muito difícil mudar isso.
Demonstrar que gosta de alguém sempre foi complicado para mim, porque mesmo quando não uso barreiras, a minha demonstração é sutil e em aspectos que para a maioria não faz diferença e pra mim faz uma diferença absurda.
Um exemplo básico de como sou diferente da minha forma de agir e me portar: Eu adoro flores. ADORO. Quando ganho flores eu fico sem reação, fico muda, olhos brilhando etc.
O problema é que não é qualquer flor... hehehe
Não gosto de nenhum presente clichê, não gosto de ganhar presente porque tenho que ganhar, gosto de ganhar porque lembraram de mim. Por isso não peço presentes... Nem flores.
Não gosto de rosas, aquelas padrão no buquê bonitinho.
Gosto de flores que não são arrancadas, porque elas não vão morrer em uns 3 dias, elas continuarão lá e eu vou cuidar delas.
Não gosto de ganhar blusas, roupas em geral. Isso é presente clichê, até porque quando me dão é algo preto, porque aí não tem erro.
Não me importo muito com presentes comprados, gosto de coisas que realmente tenham a ver comigo e a maior parte não precisa ser comprada, ela pode ser feita.
Presentes feitos, na minha opinião, demonstram que a pessoa não só lembrou de você como gastou uma parte do seu tempo com isso. E o tempo é algo muito importante para ser dado. É demonstração de afeto.
Eu gosto de ouvir sobre mim, não porque quero ser o centro, mas porque é uma espécie de feedback que eu tenho a meu respeito. Tanto de como apareço para os humanos, quanto pelo simples fato de ver se consigo me expressar da forma como gostaria. É minha forma de saber se a pessoa realmente me viu.
Gosto de pequenas atitudes de atenção. Perceber que por algum motivo, alguma coisa está errada, por menor ou mais simples que seja e fazer algo a respeito... E sem eu precisar falar nada.
Ok, é meio absurdo gostar disso, afinal eu não sou o centro da vida de ninguém, mas não é uma coisa que tenha que ser sempre, porque senão fica banal, mas é uma coisa que pode acontecer às vezes.
Gosto de demonstrações publicas de afeto, contanto que sejam sutis. Não precisa ser algo escandaloso, basta ser sincero e basta que eu perceba.
Como eu sou uma pessoa que procura agir conforme gostaria que agissem com ela, essa é a maneira com que eu demonstro afeto também.
A minha grande questão hoje é essa. Aparentemente a minha forma de agir nem sempre é suficiente. A grande maioria das pessoas preferem o oposto e aí, eu entro na minha questão dos contratos.
Por esse motivo, minha postura atual é procurar acabar com o máximo de letrinhas miúdas logo de cara.
Eu falo como sou, algumas reações, alguns comportamentos, para ver se dessa forma eu consigo quebrar um pouco dessa mascara que a tanto tempo uso.
Tem coisas que são padrão:
Quanto mais eu me importo com a pessoa, mais quero estar perto dela. E isso diz respeito a qualquer pessoa.
Minha primeira atitude ao conhecer alguém que me interesse de alguma forma é querer entender como essa pessoa funciona. Infelizmente eu não tenho o poder do Sylar para conseguir entender o cérebro humano, então eu acabo demorando mais...
Eu disseco, catalogo e guardo na estante quase todos que conheço. Aí, de tempos em tempos, eu volto, tiro da estante e analiso novamente, para perceber nuances de mudança comportamental ou até mesmo porque em algum momento aquela pessoa agiu de forma diferente do que havia sido previamente analisado.
Isso parece frio, mas é uma forma que tenho de entender porque as pessoas são assim e também uma forma que descobri para conseguir me relacionar com as pessoas de forma menos rígida.
A idéia de ser considerada uma pessoa rígida não me agrada, então eu me adapto ao meio que convivo. Claro, que sem abrir mão de quem eu sou.
O que eu faço é mostrar em determinados grupos aquela parte minha que pode ser bem aceita. Sou sempre eu, mas raramente completa.
Quando o assunto é relacionamento amoroso, a coisa se complica um pouco. Porque a pessoa antes não me conhece por completa e inevitavelmente num relacionamento amoroso isso termina.
Porque para essa pessoa que escolhi (???) para estar comigo, ou para me deixar gostar, para essa única pessoa (taí outra coisa diferente, apesar de como eu me mostro, eu só gosto pra valer de uma pessoa por vez) eu procuro mostrar todos os meus lados.
E é nesse momento que a casa cai. Nesse momento a pessoa percebe que eu não sou tão simples, ou então que eu tenho muito mais do que aquilo que ela viu e, na maior parte das vezes, aquilo que ela viu é o que ela queria.
Então eu agora tenho minhas "regras", eu me mostro aos poucos, a medida que vou chegando nos "check points".
Dormir de conchinha, escova de dentes, "eu te amo", café da manhã etc.
hehehe
Não são check points tradicionais, eu sei, mas são atitudes marcantes para mim.
Conheço um cara legal, começo a sair com ele. Aí um dia eu preparo café da manhã. Ligo pra padaria, encomendo coisas (na minha casa não costuma ter comida, principalmente de café da manhã), arrumo a mesa.
Esse é o primeiro marco, se eu faço isso e não simplesmente taco um saco de pão de queijo no forno (isso eu tenho de sobra) é sinal que me importo com essa pessoa.
Quanto mais elaborado for o café, mais eu me importo.
Depois do café, meu segundo marco é a conchinha, se eu durmo de conchinha, ou abraçada, ou encostando ou sem tirar cobertas é porque eu tô gostando realmente, é porque eu quero estar junto o máximo possível, a ponto de acordar pra ver se por um acaso eu não arranquei todas as cobertas da pessoa. hehehehe
Aí é um abraço, meu comportamento muda, porque depois da "conchinha", eu passo a ser uma pessoa carinhosa, a fazer coisas pelo outro a me dedicar de alguma forma, não usual (pra mim).
Esse é o ponto crucial, porque a partir desse momento minha dedicação muda, mas meus alertas todos ficam ligados. Reciprocidade.
Se a balança despencar nesse momento, e se mantiver assim por algum tempo (que nunca consegui medir) ferrou.
Esse tempo pode ser um dia ou um ano. Depende.
Se despencar o café começa a diminuir, a pessoa começa a sentir frio a noite, etc, etc.
Mas, se a balança se mantém, o próximo ponto é a gaveta. EU dar uma gaveta para a pessoa na minha casa. Isso mostra que ela conseguiu um lugar pra ela aqui. Ela não precisa mais usar minhas roupas nem trazer malinha. Ela tem seu lugar... na minha vida.
Depois disso existem dois marcos que acontecem quase que simultaneamente. Eu nunca consegui separa-los a ocorrência de um implica no outro: A escova de dentes e o "eu te amo".
Sim, ter gaveta não significa ter escova de dentes no potinho do lado da minha.
Tanto eu deixar uma escova, quanto a pessoa ter uma escova.
A escova de dentes pra mim é tão significativa quanto um "Eu te amo".
Aí sim o negócio está bem sério... É minha prova máxima de afeição em inicio de relacionamento... hehehehe
Depois desse ponto, minhas barreiras já não existem mais.
Um comentário:
Kore,
pois é, o problema é que todo o mundo está criando barreiras e defesas.
E aí...é um se defendendo do outro.
Difícil, vai, encontrar alguém para dormir de conchinha, juntas escova de dentes e fazer " aquele café da manhã."...
Tomara q você encontre e deixe o relacionamento fluir....
Eu sei não, pelo que tenho visto por aí, acho até melhor ficar sozinha.
Cheguei a uma conclusão : Ninguém ama mais ninguém..." Tá aí, vou falar sobre o assunto num post.
Gostei do layout. Mais atrativo.
Mais cara de blog.
Boa semana.
Beijão !
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