terça-feira, novembro 17, 2009

Cuspir para cima

Ontem, quando voltava para casa, me dei conta que tudo que eu falava não querer mais, que eu achava não ser mais capaz de sentir, de aturar, absolutamente todas as minhas teorias sobre como deveria ser um relacionamento, sobre como as pessoas deveriam se portar, enfim todos os meus pensamentos sobre relacionamentos, cairam por terra.
Não faz muito tempo, cerca de um ano, eu dizia, para quem quisesse ouvir, que relacionamentos, da forma como costumam ser, são castradores e que o titulo limitava e prendia o se humano, que a partir do momento que um título era associado, uma coleira era colocada.
Bem, eu continuo tendo essas idéias estranhas na cabeça, eu continuo achando que o titulo acaba com o amor livre, que as pessoas às vezes se sentem presas às outras por causa da existência do titulo e deixam de fazer algo que realmente queriam por causa da posição alcançada, a diferença é que não acho vejo mais a utilização de um título como algo tão ruim.
Quando falo que não gosto da idéia de alguém deixar de fazer algo que gosta por causa da existência do titulo, quero deixar bem claro que não estou me referindo a deixar de fazer algo por causa da pessoa com quem você convive. Acho perfeitamente natural, fofo, meigo e necessário que ambas as partes cedam e que ajam de acordo com o que foi proposto a principio, que aja respeito pelo outro, respeito pela vontade do outro. O que eu condeno é a limitação exclusivamente pelo titulo.
Tendo esclarecido como eu pensava e continuo pensando, mas de uma forma menos radical, posso tentar agora esclarecer porque eu cuspi pra cima.
A despeito de todas as minhas teorias e regras, eu me envolvi, me apaixonei e me entreguei novamente. A despeito de toda a ojeriza que eu dizia (e acreditava piamente) sentir, eu aceitei usar um título, andar de mãos dadas, dividir meu espaço, minha vida, minhas idéias.
Apesar de tudo que eu passei os últimos 3 anos dizendo, eu hoje estou a mercê de outra pessoa. Não em um sentido ruim, eu não dependo da pessoa, mas eu preciso dela, gosto da companhia dela e gosto de dividir minha vida com ela.
Eu aprendi a ser dois novamente e até aqui eu estou muito bem.

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