Algo tem acontecido comigo nesses ultimos dias, na realidade creio que nos ultimos anos.
Bom, ano passado é facil de saber o motivo, eu estive ausente, fora da minha cidade, longe dos meus amigos e principalmente longe do meu filho. Antes que alguém diga, eu sei que estou longe de ser uma daquelas mães extremamente grudada na sua prole, ou com aquele instinto maternal tão forte, mas mesmo assim, ficar afastada dele foi muito dificil para mim.
É dificil descrever o que sentia naquela época, estar longe me devolveu aquele ar de antes de ser mãe, era uma mistura de alivio e tristeza profunda. Eu ficava triste por estar longe e nos momentos que me sentia aliviada da pressão de ser mãe, me sentia triste por nutrir esse tipo de sentimento, me sentia como uma pessima mãe por querer aquilo, por querer meu tempo, meu espaço.
Racionalmente eu sei que isso é normal, tem que haver essa separação, mas a culpa por querer isso não é racional, é sentimental.
Meu filho é a pessoa que mais amo no mundo, mas tem horas que eu queria estar sozinha, veja bem, não é querer que ele não exista é querer tem um tempo sem ele.
Os finais de semana com o pai servem para isso, mas nem sempre o final de semana coincide com o momento que quero estar só.
Eu sou filha única de pais que trabalham fora. Estou acostumada a ter meus momentos sozinha, ter minhas coisas, meu tempo para fazer o que quero, o que gosto.
Ser mãe é uma tarefa integral, exaustiva. Viver constantemente preocupada com o que será dele, com o que acontecerá a ele caso eu falte, caso eu perca meu emprego e principalmente caso eu não consiga passar para ele as noções de ética e responsabilidade que são tão importantes e tão em falta hoje em dia.
E se ele crescer e virar um marginal? Um drogado? E se ele não for feliz?
Até que ponto o futuro dele está em minhas mãos?
Às vezes tenho a impressão que tudo isso está nas minhas mãos. Todo o futuro dele e isso é extremamente assustador.
Eu nunca fui uma pessoa muito dada a sucessos, sou extremamente crítica e com fortes tendencias a jogar tudo pro alto.
Quando eu entrei na faculdade eu nunca havia tirado uma nota baixa em matemática, nunca. Principalmente quando eu estudava. Minha primeira nota em calculo foi 0,5. Na época eu achei uma boa desculpa para isso e tem me servido até hoje.
Anos depois, ainda na faculdade fui fazer uma matéria chamada Analise na Reta. Fui reprovada. Estudei horrores para tirar 4. Aquilo me derrubou, na realidade fazer a matéria 3 vezes e levar bomba nas 3 que me afetou, tanto que eu tranquei a faculdade e fui fazer outra coisa da vida. Eu não podia aceitar o meu fracasso e não sabia lidar com o fato, então fugi.
Passei anos fora e ai, quando engravidei e perdi meu emprego, resolvi voltar. Eu voltei pra faculdade porque não queria que meu filho tivesse uma mãe sem nivel superior. Como eu poderia alegar para ele que era necessário uma boa educação se eu mesma havia abandonado a minha? Fora que também gosto muito de conforto e as possibilidades de se ganhar bem nesse país são dificeis para quem está preparado, o que dirá para quem não está?
Graças a Diego eu passei a enfrentar mais coisas, enfrentar minhas derrotas e não abaixar a cabeça tão fácil.
A partir do momento que me descobri grávida, todas as minhas decisões foram por ele, mas hoje percebo que não são nada comparado com o desafio de criar um filho.
Eu tenho medo de não corresponder às minhas expectativas. Tenho medo de não ser uma boa mãe, tenho medo de em algum momento eu ter uma "recaida" e agir novamente como antes.
Um comentário:
Kore,
Em tudo na vida temos sempre medo de não corresponder as expectativas. Medo de não criar um filho direito, de não ser o melhor profissional....de não amar como se deve....de não estudar tudo o que se pode..
A vida é feita de medos e dúvidas.
Mas no final a gente descobr que aprendeu muito.
Sim, o blog tem sido uma terapia. Faço isso. Eu acompanharei.
Quanto ao Meme, fique tranquila. Está lá, no dia que quisr ou puder, é só pegar
Um beijo para seu filho e outro para você.
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