Estava ontem a noite assistindo "A razão do meu afeto".
A Garota mora com um gay, ficam amigos e resolvem criar o filho que ela está esperando juntos, mas acontecem várias coisas e obviamente esse plano não dá certo.
Eu cheguei a conclusão que tenho vários gays metafóricos na minha vida.
Pessoas com quem divido minha vida e que não podem me dar o que preciso, mas que mesmo assim eu me contento com o pouco que me oferecem por medo de não ter nada.
Essa política não é muito saudável, mesmo assim, confesso que várias vezes opto por ela. Acho até que chego a ser viciada nessa situação: Me contentar com menos, viver com esse sentimento de insatisfação, constantemente reclamar e nunca, mas nunca colocar um ponto final. Pelo menos não colocar o ponto final na hora devida.
Eu tenho padrões comportamentais fortes, por exemplo todos os meus namorados eu namorei duas vezes. Sabem porque? Porque eu namoro, me sinto incompleta, acho que preciso fazer algo a respeito, levo tudo até o ponto que conseguir, quando não consigo mais, termino ou terminam comigo.
Alguém não aguentou.
Ai o tempo começa a passar... Caso eu tenha sido a pessoa que terminou o relacionamento, o HABITO faz com que eu ache que a decisão tomada foi errada, que ele era a pessoa certa para mim e eu só estava me sentindo enjoada porque eu enjôo das pessoas. Grande mentira. Eu não enjôo das pessoas assim, eu enjôo do relacionamento, porque ele não era bom pra mim, por que ele não me dava o que eu precisava.
Enfim, eu acabo voltando, porque eu preciso me sentir incompleta acompanhada. É uma coisa minha, o drama, a dor, a vitima primeiro e depois a culpada.
Quando o outro que termina porque não aguenta, eu me sinto compelida a mostrar por A + B que ele está errado, que o relacionamento era perfeito, mesmo que dias antes eu mesma tenha pensado em terminar.
Eu me humilho, corro atrás, choro, sofro muito, uma dor interminável do abandono... Até que ele volta...
Aí vem aquela primeira semana de maravilhas com pequenos alertas... Um outro tipo de dor, mas que também leva a minha dor-vicio: a insegurança de ter sido largada...
"o que garante que ele não fará isso novamente?" ou "ele voltou comigo por pena" ou ainda "Ele não me ama, se me amasse não teria me deixado e eu não precisaria me humilhar"
Mas veja bem, esses pensamentos que deveriam levar ao final do relacionamento, no meu caso, servem simplesmente para que eu consiga atingir o estagio de sofrimento e insatisfação que eu tanto preciso.
Ai, finalmente quando eu estou triste, insatisfeita e a pessoa pisando em ovos, eu termino.
Ou em casos raros provoco situações que forcem a pessoa a terminar comigo e ai eu pobrezinha sou a grande vitima da situação.
Depois dessa ladainha, eu entro na fase MEA CULPA: normalmente acontece uns 3 meses depois de termino de relacionamento.
Essa fase é legal, porque eu já estou com outro namorado e começo a refletir e analisar o meu namoro anterior. O mais interessante dessa fase é que o anterior é perfeito e santo e eu sou a culpada por tudo de ruim que ocorreu. Ah e o atual nessa história? Ele já é o cara que não me completa, mas é o premio de consolação pois eu fiz merda com o cara perfeito do relacionamento anterior e agora tenho que me contentar com o atual...
Esse post mesmo pode ser considerado algo da fase mea culpa, mas no caso eu não acredito que seja. Porque não me sinto culpada pelo meu fracasso amoroso. Ele simplesmente acontece.
Eu sou culpada pelo meu vicio, sou culpada de me envolver deliberadamente com pessoas que eu SEI que não podem me dar o que preciso.
Mas não sou culpada por não dar certo. ISSO eu já sei.
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