terça-feira, fevereiro 22, 2005

Salvem os Menudos

Tirado do site: Cocadaboa escrito por Adaílton Persegonha.

Salvem os Menudos

Porto Rico é um estado livre associado aos Estados Unidos. Apesar de uma suposta independência, a Constituição americana é respeitada por lá. Infelizmente, o baseball também... E é neste país, na verdade, uma ilha perdida no Caribe, que está localizado um dos maiores problemas sociais do nosso continente: os ex-Menudos!!!

Para quem tem uns 30 anos, não é muito difícil se lembrar: o Menudo foi a primeira "boyola band" do mundo. Ela deu origem a coisas como New Kids o­n The Block, N'Sync, Backstreet Boys, isso pra falar nos dias de hoje. Até aí, tudo bem. Foda era aturar naquela época coisas piores como Tremendo, Ciclone e Dominó...

O Menudo tinha uma fórmula para tornar o grupo eterno: assim que completassem determinada idade, 16 ou 17 anos, o integrante era substituído por outro. A idéia é boa, sem dúvida. Mas é exatamente aqui que começam os maiores problemas de Porto Rico: a cada ano chegam às ruas dezenas de ex-Menudos desempregados. São cantores, dançarinos e atores colocados na rua da amargura, pedindo esmolas, tendo que fugir pros Estados Unidos e o que é pior: sua única possibilidade de ascensão na América é ser aspone do Ricky Martin, o único Menudo que deu certo, num bom sentido... Quer dizer, num mau sentido mesmo...

No país de origem do grupo, podemos acompanhar espetáculos dolorosos: os Menudos, pobres, mas tão pobres que não conseguem grana pra comprar nem um pão com ovo, fazem filas nas gravadoras, dançam nos sinais, cantam em restaurantes de beira da estrada pra conseguir sobreviver.

O Governo está tentando fazer a sua parte, mas a Previdência Social ficou muito sobrecarregada, pois teve que abrir um Departamento Especial para Ex-Menudos e futuramente vai ser necessário meter as mãos nos cofres públicos para a construção do Asilo para o Menudo Desamparado.

O Brasil não está livre desta mazela. Um exemplo disso é que nos anos 80, quando da primeira visita do grupo ao país, o sucesso envolveu os rapazes, que, inebriados, não conseguiram vislumbrar o tenebroso futuro. Por isso, assim que saíram do grupo, alguns integrantes vieram para o Patropi em busca de um inexistente paraíso perdido. O resultado foi catastrófico: um deles, o Roy... Ou o Ray? Ou o Ricky? Ah, um deles aí, chegou ao cúmulo do fundo do poço, tendo que comer a Mara Maravilha para sobreviver.

Colocando de lado o problema social, há também um desgaste dos integrantes do grupo quanto ao lado do comportamento sexual. Por menos boiolas que fossem os rapazes, as roupinhas ridículas e aviadadas que eram obrigados a usar - certamente por um empresário pedófilo - depunha contra a idéia da integralidade física da mucosa anal dos Menudos.

Voltando a Porto Rico, ninguém mais sabe o que fazer com os pobres e indigentes Menudos. Todos viram o rosto aos rapazes. Ninguém lhes estende a mão, até porque vai que os caras resolvem sair cantando de novo... Alguns acreditam que a criação do grupo esteja ligada a alguma conspiração internacional para acabar com qualquer possibilidade de independência total em relação aos Estados Unidos. Afinal, não ficaria bem numa reunião com chefes de estado de outros países, o Secretário-Geral da o­nU chamar o presidente de Porto Rico desse jeito:

- Agora com a palavra o presidente do país daquele bando de viadinhos...

Outros culpam o FMI: os Menudos, com certeza, são a única fonte de divisas do país e a vendagem de seus discos para os chicanos de todo o mundo ajuda o país a fazer caixa e ter dinheiro para pagar os juros da dívida externa.

E há os que acham que o grande responsável é o mau gosto do país mesmo...

Mas os fatos estão aí... Menudos morrem à míngua em cada esquina de Porto Rico... Muitos viraram camelôs e pirateiam os próprios CDs do grupo e ainda tentam te convencer dizendo que fizeram parte do Menudo, que eram o Ray, ou o Roy, ou o Raí, ou o Raio que o parta...

Não demora muito e será erigido na principal praça de Porto Rico o Monumento ao Menudo Desconhecido. Ou então o Museu do Menudo. Quiçá um presídio especial para os Menudos que sucumbiram à tentação do dinheiro fácil e caíram na marginalidade...

Adaílton Persegonha sabia de cor a coreografia de "Não se reprima".

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