PRECISA-SE DE UM AMIGO
Vinicius de Moraes
Colaboração: Daniel José Nogueira
Não precisa ser homem, basta ser humano...
Basta ter sentimentos, basta ter coração...
Precisa saber falar, saber calar, sobretudo ouvir...
Tem que gostar de poesia, da madrugada, de pássaros,
do sol, da lua, do canto dos ventos, da canção da brisa.
Deve amar o próximo e respeitar
a dor que todos os passantes levam consigo.
Deve ter amor, um grande amor por alguém,
ou sentir falta de não ter esse amor.
Deve guardar um segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão,
nem é imprescindível que seja de segunda mão.
Pode já ter sido enganado, todos os amigos se enganam.
Mas precisa que seja puro, nem que seja todo impuro,
mas não pode ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo,
e no caso de assim não ser,
deve sentir o grande vácuo que isto deixa.
Tem que ter ressonâncias humanas,
o principal defeito de ser amigo.
Deve sentir pena de pessoas tristes e
compreender o imenso vazio dos solitários.
Procura-se um amigo
para gostar dos mesmos gostares.
Que se comova quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples,
de orvalho e de grandes chuvas,
e de recordações da infância.
Precisa-se de um amigo para não enlouquecer,
para contar o que se viu
de belo e triste durante o dia;
dos anseios e das realizações,
de sonhos e de realidade.
Deve gostar de ruas desertas,
de poças de chuva e de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver,
não porque a vida é bela, mas, porque se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para parar de chorar,
para não viver debruçado no passado
em busca de memórias queridas,
que nos bata no ombro sorrindo ou chorando,
mas, que nos chame de amigo.
Precisa-se de um amigo que creia em "Nós" e "Nele".
Nenhum comentário:
Postar um comentário