terça-feira, julho 27, 2004

Maturidade

Ontem meu pai foi me buscar na UERJ, me disse milhões de coisas dessas sobre o que eu devo fazer e sobre como ele não gosta de me buscar porque agora eu estou casada e isso cabe ao meu marido, etc, etc, etc.
Essas coisas que a um tempo atrás me tirariam do sério, me irritariam e causariam uma briga, mas por incrivel que pareça, só conseguiram me fazer olhar para ele e rir.
Achei engraçada a cena. o que mais eu poderia fazer?
Mudar de marido? Mudar ações que eu já cometi?
Isso seria impossível, o máximo que eu poderia fazer é guardar para o futuro.
Eu sei que não adianta me justificar, porque para ele quando eu tento explicar o porquê de uma atitude, eu tô querendo aliviar a minha culpa ou me isentar dela.
Então só me resta rir.
Isso é o que chamam de maturidade?
Eu não sei.
Sinceramente eu não faço a menor idéia do que as pessoas querem dizer quando dizem que uma pessoa se tornou "madura".
Quantas atitudes bem aceitas socialmente são necessárias para que alguém seja considerado maduro?
E, uma vez maduro alguém o deixa de sê-lo?
Eu não sei, estou concluindo que maturidade realmente é quando nós disistimos.
Quando passamos a rir.
Hoje eu rio, bastante até.
Rio do que me fazia chorar, rio do que me incomodava e principalmente rio, mas rio muito daqueles que um dia me fizeram chorar.
Não rio num sentido pejorativo.
Eu fico feliz, realmente feliz por aquela pessoa estar bem, ou, se estiver mal, pelo simples fato de estar mal longe de mim.
Posso soar egoísta, mas não é egoismo não. É muito ruim ter alguém te puxando pra baixo, mais ainda quando quem te puxa pra baixo nem seu amigo é.
Hoje eu só fico perto de quem gosta de mim, de quem me quer por perto.
Se não mexer uma palha para me ver, não me verá. Isso é uma atitude MUITO saudável.
Não me cansa, não me enerva, e nem me magoa.
Eu não quero ninguém me cercando contra vontade.
Meus amigos de verdade estão aqui, se fazem presente, me procuram.
Aqueles que eu por assim dizer, ainda tento são aqueles que eu ligo, que eu procuro, e que eu espero uma retribuição, são os amigos que eu tive, mas que eu não conto.
Como contar com quem simplesmente não existe?
Hoje eu estou filosófica.
Se eu tivesse tempo, eu escreveria sobre os conceitos que eu não entendo.
Meu lado Geminiano está MUITO aflorado. ao escrever sobre os amigos que eu tive mas que não existem mais, me deu vontade de falar sobre EXISTIR.
Assim como eu falei um pouquinho sobre maturidade.
E também me deu vontade de falar sobre o AMOR,
e sobre todas as outras palavras que eu não entendo.
Por isso, por ter muita coisa que eu quero dizer e pouco tempo para fazê-lo eu me disponho a calar-me.
Fui.

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